Num momento desapareceste.
Arrancaste o melhor de mim, sugaste todos os leves farrapos de ar que me sobraram. Ouviste com dedicação, deixaste-me confessar tudo...
e naquele ímpeto de libertação gritei lágrimas que nem sabia existirem.
a mágoa secou, a ofegante opressão acalmou...
olhei então para ti, nua de segredos, vazia das recordações.
e esperei.
esperei enquanto o teu ser absorvia o calor do meu batimento. esperei enquanto congelava no teu abraço sedento da minha dor. esperei a explosão de volta. esperei o renascer de e para mim.
E num momento desapareceste. Arrancaste o melhor de mim, sugaste todos os leves farrapos de ar que me sobraram.
e deixaste-me.
domingo, 26 de janeiro de 2014
falsa cor [2013]
Caleidoscópio de cores imensas que a mim rodeiam
Brumas e fantasmas rodeados de fachadas.
Passaste por mim naquele lugar assombrado,
Todo o teu corpo clamou a minha atenção!
Enquanto te aproximavas
Quando por mim passaste
Deixei-me cair no chão frio e imundo
Um riso ao longe me despertou
E tu....
Sem as tuas fachadas!
Olhei-te por completo
Aos teus olhos me parei.
Contemplei a doçura e brilho de outrora
Que não vi, recordei!
E a cara para mim viraste
Sugaste-me a alegria,
Escureceste a minha alma...
O teu olhar era baço, frio!
Os teus olhos negros, cruéis!
Sem forças para ver a realidade.
Uma criança ria enquanto brincava
O lugar ganhara cores!
Tu de frente para mim rias
e mandavas beijos enquanto te afastavas!
Para os outros continuavas igual
Mas eu
vi-te
Brumas e fantasmas rodeados de fachadas.
Passaste por mim naquele lugar assombrado,
Todo o teu corpo clamou a minha atenção!
Enquanto te aproximavas
Quando por mim passaste
Deixei-me cair no chão frio e imundo
Um riso ao longe me despertou
E tu....
Sem as tuas fachadas!
Olhei-te por completo
Aos teus olhos me parei.
Contemplei a doçura e brilho de outrora
Que não vi, recordei!
E a cara para mim viraste
Sugaste-me a alegria,
Escureceste a minha alma...
O teu olhar era baço, frio!
Os teus olhos negros, cruéis!
Sem forças para ver a realidade.
Uma criança ria enquanto brincava
O lugar ganhara cores!
Tu de frente para mim rias
e mandavas beijos enquanto te afastavas!
Para os outros continuavas igual
Mas eu
vi-te
pouco mais que nada [2013]
Sinto uma mão cheia de tudo, um pranto cheio de nada. Embrulho-me no rumo que escolhi, nas loucuras que quis viver. Somam-me os contos e os pontos. As voltas e demoras. As vidas envolvidas em trapos de mim.
Nao é custo de ver ou falar.
O que dói é sentir que nos sumimos aos poucos, que o tempos nos escoa pelos momentos que não nos chegaram ao peito, que os sonhos se vão esfarrapando em esperanças rasgadas que amanhã vai ser melhor. E amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser sempre melhor.
O hoje é que dói. O hoje é que pode não ser melhor. O hoje é que pode ser a tentativa frustrada de realizar mais um momento, o agora é que pode ser mais um ensaio de sermos nós em toda a plenitude. Mas amanhã vai ser melhor. E o ontem não nos deixa cansar hoje, que o cansaço chega aos fracos espasmos em repetição.
A mente é a armadura que abafa o som do coração que sente sempre falta da harmonia, da sinfonia dos batimentos em simultâneo. E é a mente que cansa a muralha, o escudo que nos habitua à falta que dói, à saudade arrancada do corpo, das mãos da vida a dois tempos.
É preciso escavar na força e reconstruir sobre o cansaço. É preciso agarrar o amanhã com garra. É preciso que doa, que volte a doer a alma arrancada e dividida. É preciso voltar a sangrar no rio da saudade. É preciso voltar atrás para lutar por um amanhã melhor e um amanhã igual a hoje.
É preciso cair do precipício e voltar a ter medo.
Nao é custo de ver ou falar.
O que dói é sentir que nos sumimos aos poucos, que o tempos nos escoa pelos momentos que não nos chegaram ao peito, que os sonhos se vão esfarrapando em esperanças rasgadas que amanhã vai ser melhor. E amanhã vai ser melhor. Amanhã vai ser sempre melhor.
O hoje é que dói. O hoje é que pode não ser melhor. O hoje é que pode ser a tentativa frustrada de realizar mais um momento, o agora é que pode ser mais um ensaio de sermos nós em toda a plenitude. Mas amanhã vai ser melhor. E o ontem não nos deixa cansar hoje, que o cansaço chega aos fracos espasmos em repetição.
A mente é a armadura que abafa o som do coração que sente sempre falta da harmonia, da sinfonia dos batimentos em simultâneo. E é a mente que cansa a muralha, o escudo que nos habitua à falta que dói, à saudade arrancada do corpo, das mãos da vida a dois tempos.
É preciso escavar na força e reconstruir sobre o cansaço. É preciso agarrar o amanhã com garra. É preciso que doa, que volte a doer a alma arrancada e dividida. É preciso voltar a sangrar no rio da saudade. É preciso voltar atrás para lutar por um amanhã melhor e um amanhã igual a hoje.
É preciso cair do precipício e voltar a ter medo.
existência [2010]
Há momentos em que não em sinto, não me existo... hesito num ser sem respostas, com perguntas que vagueiam num mar de pensamentos infindáveis!
Tento responder ao que me pergunto ansiosa por explicação... e desespero num círculo de perguntas às respostas que não chegam... Não existo por vezes... por vezes deixo-me levar e misturar por sentimentos e conversas e imagens em que me absorvo como se fosse oxigénio em falta, vontade crucial de o respirar... de me perder... de não existir... de não pensar... de não sentir...!
E depois tento passar para palavras aquilo que me complica a existência... Fácil é falar... difícil é saber guardar o silêncio daquelas palavras que não podem ser ditas... porque são complexas, porque são palavras que não existem.. como eu... são palavras que têm de ser criadas por quem pensa nelas e no que elas significam! E não consigo falar nem explicar nem demonstrar nem fazer sentir a esfera de problemas em que me incluo... ao fazer-me perguntas... ao responder com mais perguntas...
Há dias simples.. dias em que não me deixo perder e sobrevivo à não existência... existindo para mim, para os outros, para o mundo... dias em que nada parece impossível e que o tempo ainda se deixa controlar ao longe, de raspão! Mas a maior parte dos dias são não simples, dias em que a concentração se esvai com o tempo que vai passando enquanto me perco de novo em mim.. no amanhã, no ontem... no hoje... no sempre... dias em que pensar no próximo passo dói... dias em que pensar no que devia ser feito, no que podia ter sido feito, no que foi feito, no que não foi feito, me corrói o sentimento!
Não tem havido muitos dias simples... mas não culpo ninguém porque só de mim vem a complicação! Só de mim vem a tentativa ridícula de controlar o tempo que tenho.. e depois o tempo passa e eu desperco-me de mim.. e só depois é que me lembro que acabei de perder tempo... e de me perder mais um bocadinho...
medo [2004]
Num dia gelado
Sem nada para me cobrir
Descobri que tinha medo
Medo de ajuda pedir
Não sentia nada
Excepto finas e geladas estacas
Espetadas em minh’alma
Fincadas em meu coração
Queria dizer-to
Queria falar-te
Queria sentir-te
tempo [2005]
A vida corre devagar no seu leito e eu percorro-a como quem tenha um
mapa incompleto e o siga a medo. O que está depois da esquina? Quando acaba?
Como acaba? Porque é que acaba? Porque é que não é nossa? Porque é que não nos
pertence?
Os filósofos já
tiveram a sua fama, a altura em que todos os respeitavam e ouviam… agora as
pessoas correm a cada minute, metidas para dentro e preocupadas só e unicamente
consigo mesmas, sem ligar aos outros com quem se cruzam todos os dias e sem ligar
àqueles que os acolhem depois de mais um dia stressante…!
E
o tempo que falta? E o tempo que não se fez? Morte vívida? E quando a vida
mortifica? janela [2005]
Olho pela janela e apanho as árvores num relance, a uma velocidade
sobre-humana. Pois claro não sou eu que me levo… É este conjunto de pecinhas,
de metal, de ferro, de tuca-tuc, tuca-tuc… é nesta coisa que transporta, nesta
coisa a que chamam comboio que viajo. Estou sentada ao lado do vidro (é janela
aquilo que não se pode abrir?! Para mim este vidro quadrado não toma nome de
janela, pois ao lado dele sinto-me presa, privada do oxigénio exterior! Sim, é
verdade que, sendo um vidro, me permite olhar para lá dele… mas não me permite
respirar, saltar.) e continuo aqui sentada, calma, a escrever. A paisagem varia
em cada levantar de olhos e de cada lado: pinheiros, eucaliptos, oliveiras,
canaviais, solo árido, verdura por todo lado… é isto que eu vejo, é isto a
nossa terra. Mas também é nossa terra o que acabei de apanhar… uma mata escura,
negra, terra cinzenta e preta, árvores verdes em cima mas negras no fundo:
Mortas. Estão simplesmente mortas, sem vida: mortas, sem respirar: mortas, sem
oxigénio estamos: mortos. Mortos. Mortos. Mas mais à frente estão os sobreiros
grandes, imponentes, sem cortiça, mas num espaço verde, vivo, que nos permite
respirar finalmente, que nos deixa, por momentos, esquecer, esquecer o negro e
sorrir. Esquecer o negro a 500m de distância, esquecer a morte a 500m, a uns
segundos! Esquecer o que já não existe… esquecer que desapareci do mapa vital
durante uns segundos, esquecer que árvores e verdes com dezenas, centenas de
anos desapareceram, também, em segundos… e que sim, morreram, mas não pela
ordem natural. Somos seres superiores é? É nisso que somos superiores? Em matar
os do nosso lado?
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