domingo, 26 de janeiro de 2014

Mar de fantasias [engano] [2005]

Longe do mundo, longe de ti
Longe do refúgio que me faz sorrir
Longe de onde parti

Não queiras crescer, não queiras fugir
Tudo o que queiras na mão
Esquece, não passa de ilusão

E um dia vais perceber
Um dia tudo se vai fazer entender
Porque o sonho que a gente tem
Não é viver sozinha, sem ninguém

Num passado distante…

Sonhei contigo, quis viver num palácio
Respirar os teus desejos
Sofrer os teus receios
Lembrar os beijos
Sentir os toques primeiros
E o que nunca existiu

Juntos enfrentávamos os monstros
Juntos criávamos defesas…

Lutei, cresci
E agora vivo o aqui
Passado de memórias
Presente de histórias
E um futuro de ilusórias sensações
Arrebata-me o coração

Qualquer coisa
Faz qualquer coisa
Salva-me e leva-me contigo
Como princesa num destino perdido








Cores vazias [2005]

Já não sei sentir
Não consigo respirar
O mundo que rodava comigo
Parou de girar
Olhei o céu infinito
Tentei pintar as cores
O preto escorri, o branco escapou
E o nada ficou

Já fui feliz aqui
Já pintei o céu de azul
Já sonhei e cresci
Pensei no amor

Enegreceu a flor
Entristeci a cor
Não quis ficar assim
Mas o nada ficou

Não gosto de fugir
Não quero chorar
Defendo-me do pouco de ti


Que ainda me fez acreditar






Reflexos de entardecer [2006]

Já nada está igual. A diferença entre a noite e o dia é abruptamente grande. Rodopio no girar do mundo, tropeço nos pensamentos de quem passa ao lado. Sentiste a mágoa da nuvem que te ensombrou o caminho? Não, claro que não sentiste. Estremeceste com a frieza com que ela te brindou ao tapar o sol mas não percebeste que era tristeza. Tristeza de indiferença aos outros!
            Sento-me no chão gelado… “Pára!”. Mas o mundo continua a rodar, as pessoas a passar, o dia a nascer, a noite a descer, motores a gritar, folhas a cair, gente a olhar para os farrapos com alguém amontoados no passeio pisado… mas ninguém a parar, para ajudar, para falar, para pensar.
            Não sei quem sou. Conheces-me? O teu olhar meigo respondeu-me na sua doçura silenciosa. Ainda bem que me conheces, assim sinto-me menos perdida nesta loucura que de mim se apodera.
            Não fujas de mim Anjo… Cria-me as ilusões, devolve-me as sensações… Deixa-me sonhar… Não me prendas, não me largues… Ilumina o meu caminho que eu acompanho-te no teu.

            “Acordei-te?” “Estava a sonhar…”





Sentidos [2007]

Senti a vida correr-me nas veias
Senti algo desconhecido
Sabia bem
Sabia a alegria

Sem momentos dissabores
Com uma imensidão de sentimentos bons
Num choro incontrolável de felicidade extrema
Numa gargalhada sonora despreocupada de opinião



Amo...



Saudade [2007]

Manto negro que assombra a tua glória
Céu cinzento sob teu rosto luminoso
Teus olhos tristes escondem-se da própria cor
Nos teus lábios desenha-se a linha da dor

O vazio entranha-se em ti
Desespero sem solução
Desejas que desapareça

Fora de controle
Não sabes o que fazer

Impossibilitas-te de viver
Respirar doloroso
Movimentos agonizantes

A  noite cai
Lágrimas escondidas
Nostalgia
O teu corpo parece-te insuportável

Teu sorriso escondido pelas nuvens
De nada serve a própria vontade
Teu coração é o teu próprio inferno

Num momento
Onda de mal-estar retorna ao mar alto
Tua alma flutua
Instante libertador

Sentimento intenso...


Saudade!





Emaranhado [2006]

Glória vã
Busca infinita das cores
E desespero
E cegueira
E escuridão

Ceguei-me ao teu lado
Esperança tola
Criancice boba

Pedaços de luz

Retirei-me erguida
Jurando de seguida
Curar a dor
Viver sem ardor
Correr sem partida

Ilusões perdidas
Memórias esquecidas
Promessas quebradas

Muralhas estendidas
Frieza desmedida
Tento encontrar-me

Não me ofendas
Surpreende-me
Não me tenhas
Conquista-me
Não me ganhes
Procura-me

Sou carrinho “desguiado”
Sem rumo de destino
Ninguém me vai guiar
Apenas indicar o caminho
e procurar pedaços de coração partido

Não peças desculpa


Ajuda-me a perdoar-te




Gélida [2003]

Está uma noite gelada mas mais linda do que nunca! As estrelas brilham intensamente pois não há nuvens para lhes privar a admiração dos que as vêem! Está tudo tão calmo, tão silencioso! Imagino o oceano para completar a escuridão e a imensidão do universo se fundir com as profundezas marítimas... saboreio o vento árctico imaginando as mensagens que traz... que ou quem mais sentiu uma brisa gelada acariciar-lhe a face? Que montanha petrificou, congelada à sua forte rajada? Que promessas levou? Que mistérios descobriu? Que palavras imperceptíveis estará a sussurrar? Que esperanças aumentou? Quantas desilusões trouxe?
Os ventos estão desatentos ao seu lugar... já não têm guardião... ou talvez tenham! Os ventos são mensagens, mensageiros, destinatários e receptores: eles espalham as palavras e os sentimentos mais nobres e bonitos a todo o lado... eles secam a maior e mais triste lágrima que rola pela face de qualquer ser... eles encorajam os destemidos e assustam os medrosos!
Não há nada que o vento não possa fazer... o vento é diferente em todas as ocasiões: doce, frio, seco, quente, fraco, tempestade, forte, brisa suave... brinca connosco pegando nos cabelos e despenteando-os, ensina-nos a vestir calças levantando-nos as saias, fortalece-nos obstruindo o nosso caminho com empurrões e poeiras! Os ventos são crianças crescidas que governam o mundo, impondo-se a todas as tecnologias existentes e por descobrir! Já existem desde sempre e eternamente hão-de persistir: desde soprar a anciã fogueira a derrubar o melhor satélite, só para brincar, para se divertirem.

O vento abre-nos os olhos mas, sinceramente, os meus estão cansados, desejam a noite, o sonho, a liberdade e o vento está lá fora... anunciando a chegada de frio e brincando com as árvores mais desprevenidas.
            Corre vento ou caminha, faz a tua vontade e entrega todas as mensagens que tiveres a entregar... mas espera pelas respostas e confissões... alguma vida podes mudar! Vai vento e... volta sempre que o destino assim o desejar...